2012/02/29
In the Meantime
Hoje tirei da gaveta um disco que não ouvia há anos. Um daqueles discos de intensa paixão adolescente, há muito esquecidos e que hoje já não nos parece ter sido possível terem em tempos tido a importância que tiveram. Falo do Meantime dos Helmet, e a razão para o tirar da gaveta passou por tentar perceber se valeria a pena ir ver o concerto da próxima segunda-feira...
Hoje é fácil perceber porque era um disco importante: era um disco de metal que não soava ao mesmo que os restantes discos de metal. E isso permitia uma interessante dualidade adolescente: estar dentro da Tribo e a o mesmo tempo manter aquela ética hipster do "não ouço o que o resto da malta ouve". E não desmerecendo, era um grande disco de Metal, mais pesado que muitos pesos pesados, mas denso e recompensador, daqueles que se "apreendem" melhor a cada audição. Enfim, tinha o mesmo tipo de características que faziam do "Downward Spiral" dos NIN um disco brilhante, mas sem a parte "electrónica", antes reforçando na Guitarra e no Baixo.
Ultimamente dou por mim a recair sobre muitos discos importantes da juventude, que são trazidos de novo à tona de água, por re-edições e comemorações várias, como aconteceu recentemente com o Siamese Dreams ou com o Nevermind. E se já não consigo voltar a ouvir esses discos com o prazer de outrora, sinto também cada vez mais dificuldades em descobrir coisas novas a que me consiga ligar com algum apego... sintoma de "maturidade" ou de "velhice"?
Redescoberto o disco, ficou a vontade de ir ao tal concerto ver como serão os Helmet ao vivo. Até porque foi uma banda que nunca vi ao vivo e que não me recordo deter passado por Portugal na altura em que eram "relevantes". Ainda assim, sei que o potencial "downside" de desilusão desse concerto é muito elevado...
2012/01/31
Os melhores de 2011
2011 não é um ano para o qual possa elaborar facilmente uma lista de "melhores do ano". Não será pela qualidade (ou a sua falta) da safra do ano, mas tão simplesmente porque o meu nível de desatenção às novidades que o ano trouxe foi tão elevado que qualquer julgamento de valor seria uma flagrante injustiça.
Assim, e apenas para memória futura, deixo nota das poucas coisas em que reparei este ano e que me surpreenderam. E que no fundo são só 2: um disco no sentido tradicional e uma banda sonora.
O disco foi o álbum de estreia de SBTRKT. Fascina desde o início pela capa e pelo título enigmáticos Q.B. pouco ou nada deixando adivinhar o que lá está dentro. E depois pelo som, uma combinação daquela negritude do Grime / Dubstep de Burial com um lado mais solarengo, mais pop feito de refrões que se incrustam. Sem dúvida uma bela descoberta.
Ja a banda sonora é a magnífica banda sonora do documentário Senna. Da autoria do brasileiro António Pinto (que trabalhou entre outras nas bandas sonoras dos filmes Colateral e Miami Vice), a música, quando conjugada com as imagens é simplesmente espectacular, adequando-se como uma luva aos 3 temas do filme: o herói trágico, a essência brasileira e a velocidade dos F1. Como disco por si só não será tão eficaz, o facto de ser praticamente todo instrumental também não ajuda a agarrar o ouvinte, mas não deixa de se ouvir bem.
Já o momento musical do ano terá sido o concerto dos Portishead no Meco, ao qual assisti mas que não consegui relatar aqui, pois nem sabia como... não valeu pelo concerto, que não foi nada de especial, até porque o sítio a isso não se prestava de maneira nenhuma. Mas terá sido talvez a última oportunidade que tive de ver os Portishead ao vivo. E só isso já vale muito....
Assim, e apenas para memória futura, deixo nota das poucas coisas em que reparei este ano e que me surpreenderam. E que no fundo são só 2: um disco no sentido tradicional e uma banda sonora.
O disco foi o álbum de estreia de SBTRKT. Fascina desde o início pela capa e pelo título enigmáticos Q.B. pouco ou nada deixando adivinhar o que lá está dentro. E depois pelo som, uma combinação daquela negritude do Grime / Dubstep de Burial com um lado mais solarengo, mais pop feito de refrões que se incrustam. Sem dúvida uma bela descoberta.
Ja a banda sonora é a magnífica banda sonora do documentário Senna. Da autoria do brasileiro António Pinto (que trabalhou entre outras nas bandas sonoras dos filmes Colateral e Miami Vice), a música, quando conjugada com as imagens é simplesmente espectacular, adequando-se como uma luva aos 3 temas do filme: o herói trágico, a essência brasileira e a velocidade dos F1. Como disco por si só não será tão eficaz, o facto de ser praticamente todo instrumental também não ajuda a agarrar o ouvinte, mas não deixa de se ouvir bem.
Já o momento musical do ano terá sido o concerto dos Portishead no Meco, ao qual assisti mas que não consegui relatar aqui, pois nem sabia como... não valeu pelo concerto, que não foi nada de especial, até porque o sítio a isso não se prestava de maneira nenhuma. Mas terá sido talvez a última oportunidade que tive de ver os Portishead ao vivo. E só isso já vale muito....
2011/12/29
Just when I thought I was out... THEY PULL ME BACK IN!
Quem se lembra da série dos Sopranos, lembra-se certamente do Silvio Dante, que repetia até à exaustão uma imitação do Al Pacino no Padrinho. A frase era "Just when I thought I was out... THEY PULL ME BACK IN!". Assim por si só não tem muita piada, mas na série aquilo era tão ridículo que funcionava.
Foi exactamente assim que me senti quando vi os artistas que aos poucos vão confimando presença no Optimus Alive do ano que vem... Achei que estava despachado, que depois da experiência menos boa do Optimus Alive 2010 e da experiência péssima do Meco 2011, não me apanhavam em mais nenhum. I WAS OUT!
Infelizmente o bicho cá dentro fala mais alto. E quer ser alimentado por Radiohead. E por Mazzy Star. E por Caribou... E... E.... E... E além disso "dizem que" o IVA nos espectáculos vai aumentar de 6% para 23% já daqui a uns dias....
Pobre diabo, vai comprar o teu bilhete. Antes que esgote. Antes que o preço suba... THEY PULL ME BACK IN!!!
2011/11/30
Os Smashing Pumpkins vêem a Portugal (outra vez)
Em tempos que já lá vão, por alturas do Siamese Dreams, os Smashing Pumpkins foram uma das minhas bandas preferidas. Depois foram descendo cada vez mais profundamente na maluquice do Billy Corgan e ficando mais Mainstream, e eu fui perdendo o interesse. Ainda aturei o Mellon Collie e depois simplesmente deixei de ligar. Os discos seguintes e o visual associado de neo-gótico de pacotilha mataram o meu interesse.
Vi a banda ao vivo 3 vezes. A primeira, em 1996, foi um concerto verdadeiramente inesquecível na já defunta praça de touros de Cascais, à chuva e a chapinar na lama que se tinha tornado a arena. A segunda foi na Aula Magna, em 1998. Lembro-me que foi muito difícil arranjar bilhetes, porque a banda queria propositadamente tocar em salas mais pequenas. Foi também muito bom, com a sala cheia de fiéis que se tinham esforçado para arranjar os bilhetes (filas à porta da FNAC, etc...). A última foi no estádio do Restelo, em 2000. Mal me lembro deste último concerto, já na fase de declínio. Não deve ter sido grande coisa, pois não deixou a sua "pegada ecológica" na minha memória.
Mais tarde, apenas por respeito à ideia que tinha do Billy Corgan, e a título de mera curiosidade, ainda larguei uns euros para ver os Zwan no Coliseu. Lembro me mal do concerto, deve ter sido tão bom ou tão mau como o dos Pumpkins no Restelo em 2000 que nem ficou a memória.
Foi assim que, quando soube que os Pumpkins vinham outra vez este ano ao Coliseu, não manifestei qualquer entusiasmo. Quando me dispus a verificar os bilhetes (caros) na ticketline, dei de caras com um concerto esgotado. Afinal, ainda há muitos fiéis com paciência para o Sr. Corgan ou com vontade de reviver a juventude perdida na década de 90.
Entretanto abriu outra data, e dei por mim a pensar se também queria ir reviver a juventude. Uma rápida pesquisa pela net fez me ver que afinal estes Pumpkins são só o Billy Corgan e outros músicos, não tendo mais ninguém da banda original. Aparentemente, o homem ainda vai tocando uma parte do material antigo nos concertos, outra coisa não seria de esperar, duvido que haja assim tantos fãs interessados em material novo. Porém parece que evita propositadamente os maiores sucessos e as canções do Mellon Collie (vá se lá saber porquê...)
Fiquei a pensar se me apetecia ir, mas no fim o preço dos bilhetes e o facto de não querer estragar as boas memórias de concertos passados levaram me a deixar passar esta oportunidade. Espero que o concerto seja bom e que a malta do meu "escalão etário" que lá for volte satisfeita, mas este não é para mim...
Vi a banda ao vivo 3 vezes. A primeira, em 1996, foi um concerto verdadeiramente inesquecível na já defunta praça de touros de Cascais, à chuva e a chapinar na lama que se tinha tornado a arena. A segunda foi na Aula Magna, em 1998. Lembro-me que foi muito difícil arranjar bilhetes, porque a banda queria propositadamente tocar em salas mais pequenas. Foi também muito bom, com a sala cheia de fiéis que se tinham esforçado para arranjar os bilhetes (filas à porta da FNAC, etc...). A última foi no estádio do Restelo, em 2000. Mal me lembro deste último concerto, já na fase de declínio. Não deve ter sido grande coisa, pois não deixou a sua "pegada ecológica" na minha memória.
Mais tarde, apenas por respeito à ideia que tinha do Billy Corgan, e a título de mera curiosidade, ainda larguei uns euros para ver os Zwan no Coliseu. Lembro me mal do concerto, deve ter sido tão bom ou tão mau como o dos Pumpkins no Restelo em 2000 que nem ficou a memória.
Foi assim que, quando soube que os Pumpkins vinham outra vez este ano ao Coliseu, não manifestei qualquer entusiasmo. Quando me dispus a verificar os bilhetes (caros) na ticketline, dei de caras com um concerto esgotado. Afinal, ainda há muitos fiéis com paciência para o Sr. Corgan ou com vontade de reviver a juventude perdida na década de 90.
Entretanto abriu outra data, e dei por mim a pensar se também queria ir reviver a juventude. Uma rápida pesquisa pela net fez me ver que afinal estes Pumpkins são só o Billy Corgan e outros músicos, não tendo mais ninguém da banda original. Aparentemente, o homem ainda vai tocando uma parte do material antigo nos concertos, outra coisa não seria de esperar, duvido que haja assim tantos fãs interessados em material novo. Porém parece que evita propositadamente os maiores sucessos e as canções do Mellon Collie (vá se lá saber porquê...)
Fiquei a pensar se me apetecia ir, mas no fim o preço dos bilhetes e o facto de não querer estragar as boas memórias de concertos passados levaram me a deixar passar esta oportunidade. Espero que o concerto seja bom e que a malta do meu "escalão etário" que lá for volte satisfeita, mas este não é para mim...
2011/10/31
Steve Jobs e o iPod
Muitos elogios a Jobs entretanto se publicaram, e neles é sempre mencionada a ideia de que ele revolucionou, entre outras indústrias, a indústria da música. Á primeira vista pode parecer exagero, mas feitas as contas é bem capaz de estar certo. Vejamos: a Apple não inventou o Mp3, nem o leitor portátil de mp3. Porém Foram os verdadeiros responsáveis pela massificação destas tecnologias e isso levou a una inevitável mudança na forma como consumimos a música.
Repare-se como antes do iPod ter tornado comuns os leitores portáteis de MP3, a única forma prática de se ouvir a música que se "arranjava" na net era ou directamente no computador ou gravando Cds uns atrás dos outros para depois ouvir na aparelhagem "clássica". Não era prático e punha uma barreira música "da net" e a sua fruição em contexto "normal".
Com o iPod, passou a ser possível ouvir directamente toda essa música, andar com ela para todo o lado, e em conjunto com a loja iTunes passou a haver uma alternativa fácil e legal de obter música em formato digital, com a vantagem de ser possível comprar a música faixa a faixa e não álbum a álbum. Conjugando-se com o enorme leque de acessórios que surgiram para tornar o iPod num sistema estéreo "convencional", a música "da net" deixou de viver num ecossistema à parte.
Estas inovações mudaram muito a forma como se houve música. Dante existam discos que eram raros. Tomar conhecimento da sua existência, encontrar e adquirir o objecto físico eram objecto de júbilo, sinal de respeito entre pares, e de distinção dentro da tribo. Coleccionar discos era uma aventura em si. Hoje tudo isso morreu, porque quer seja de forma legal ou ilegal, cerca de 90% da música que alguém possa referir casualmente em conversa com amigos ou que se ouça na rádio, poderá estar a tocar no nosso iPod passados meros 10 minutos (e 10 minutos é a dar já um certo desconto para a pesquisa e o download).
Isto relaciona-se directamente com as minhas memórias da compra do Nevermind há quase 20 ano atrás. Nada na forma como adquiri o disco pode ser repetido na experiência de um miúdo de 14 anos hoje, e a meu ver isso não se relaciona apenas com a forma como se distribuem os proveitos da venda de música, mas sobretudo com a forma como experimentamos e absorvemos a música, como ela se integra na nossa vida.
Essa revolução, ao contrário do que se possa pensar, não é exclusivamente positiva. Mas é inegável que veio para ficar, e em boa parte tal deve-se ao Sr. Jobs e à massificação do iPod.
Repare-se como antes do iPod ter tornado comuns os leitores portáteis de MP3, a única forma prática de se ouvir a música que se "arranjava" na net era ou directamente no computador ou gravando Cds uns atrás dos outros para depois ouvir na aparelhagem "clássica". Não era prático e punha uma barreira música "da net" e a sua fruição em contexto "normal".
Com o iPod, passou a ser possível ouvir directamente toda essa música, andar com ela para todo o lado, e em conjunto com a loja iTunes passou a haver uma alternativa fácil e legal de obter música em formato digital, com a vantagem de ser possível comprar a música faixa a faixa e não álbum a álbum. Conjugando-se com o enorme leque de acessórios que surgiram para tornar o iPod num sistema estéreo "convencional", a música "da net" deixou de viver num ecossistema à parte.
Estas inovações mudaram muito a forma como se houve música. Dante existam discos que eram raros. Tomar conhecimento da sua existência, encontrar e adquirir o objecto físico eram objecto de júbilo, sinal de respeito entre pares, e de distinção dentro da tribo. Coleccionar discos era uma aventura em si. Hoje tudo isso morreu, porque quer seja de forma legal ou ilegal, cerca de 90% da música que alguém possa referir casualmente em conversa com amigos ou que se ouça na rádio, poderá estar a tocar no nosso iPod passados meros 10 minutos (e 10 minutos é a dar já um certo desconto para a pesquisa e o download).
Isto relaciona-se directamente com as minhas memórias da compra do Nevermind há quase 20 ano atrás. Nada na forma como adquiri o disco pode ser repetido na experiência de um miúdo de 14 anos hoje, e a meu ver isso não se relaciona apenas com a forma como se distribuem os proveitos da venda de música, mas sobretudo com a forma como experimentamos e absorvemos a música, como ela se integra na nossa vida.
Essa revolução, ao contrário do que se possa pensar, não é exclusivamente positiva. Mas é inegável que veio para ficar, e em boa parte tal deve-se ao Sr. Jobs e à massificação do iPod.
2011/09/29
20 anos é muito tempo
Nirvana - Nevermind
O Nevermind dos Nirvana comemora este mês 20 anos sobre a data de lançamento (segundo o wikipedia foi lançado a 24 de Setembro de 1991). Comecei a prestar-lhe atenção algures em meados de 1992, quando o disco começava a rodar muito na MTV e nas rádios. Na altura tinha 14 anos, lembro-me de me terem dito na escola que o disco era muito bom e quando o fui procurar na loja de discos do centro comercial de bairro perto de casa dos meus pais, disseram me que o disco estava esgotado por todo o lado (era verdade) e que já só tinham um na loja (também era verdade). Comprei-o logo ali, na hora, sem saber bem o que estava a levar.
Uns tempos antes tinha comprado o Angel Dust dos Faith No More, e o par que este fazia com o Nevermind era de longe o duo mais pesado da minha colecção de discos da altura. Era um "pesado" diferente, o Nevermind com raízes vindas mais do punk, mas tais subtilezas não registavam na minha ainda imberbe cabeça de aprendiz melómano...
Não me vou por a dizer que foi um amor à primeira audição. Aquilo era muito diferente do que costumava ouvir e ao início estranhou-se muito. Mas com o tempo começou a entrar, a pedir cada vez mais para ser ouvido... Escusado será dizer que o disco rapidamente se tornou numa pedra fundamental da banda sonora dos anos de Teen Angst, papel para o qual aliás servia quase na perfeição. Depois de muitas e muitas audições, ao longo dos anos foi caindo no esquecimento até que há vários anos (seguramente mais de dez) deixei por absoluto de o ouvir. Ficou na estante a apanhar pó.
Agora que se comemoram 20 anos, foi lançada uma edição Deluxe (2 Cds) e uma edição Super Deluxe (4 Cds). Para além da perplexidade que vem de tentar perceber como é que ainda há unreleased material dos Nirvana para preencher mais 3 Cds (!?!) adicionais depois de tudo o que se foi lançando ao longo dos anos para ganhar mais uns trocos, (aparentemente é fácil, unreleased versions, live sessions, rehearsals etc...), fiquei a pensar se era capaz de voltar a ouvir com prazer o Nevermind. A verdade é que o Nevermind tem hoje para mim o sabor de algo que foi bom mas que já passou, a partir do qual se evoluiu e a que já não apetece mais voltar. 20 Anos é muito tempo, e quer se queira quer não, 20 anos mudam em muito os nossos gostos e impulsos. Não sei para quem revertem os lucros destas novas edições, mas com o devido respeito pelo disco (que apesar de tudo o merece), para este peditório não vou dar.
Outra parte engraçada desta história está na forma como se descobria e adquiria um disco há 20 anos. Hoje os Cds já raramente se compram, a loja de discos de bairro há muito fechou e deu lugar a FNACs e Wortens, e mesmo o centro comercial pequeno de bairro também já deu o seu último suspiro. Um míudo de 14 anos hoje nunca seria confrontado com o disco esgotado, os downloads (legais ou ilegais) por definição não esgotam...
O Nevermind dos Nirvana comemora este mês 20 anos sobre a data de lançamento (segundo o wikipedia foi lançado a 24 de Setembro de 1991). Comecei a prestar-lhe atenção algures em meados de 1992, quando o disco começava a rodar muito na MTV e nas rádios. Na altura tinha 14 anos, lembro-me de me terem dito na escola que o disco era muito bom e quando o fui procurar na loja de discos do centro comercial de bairro perto de casa dos meus pais, disseram me que o disco estava esgotado por todo o lado (era verdade) e que já só tinham um na loja (também era verdade). Comprei-o logo ali, na hora, sem saber bem o que estava a levar.
Uns tempos antes tinha comprado o Angel Dust dos Faith No More, e o par que este fazia com o Nevermind era de longe o duo mais pesado da minha colecção de discos da altura. Era um "pesado" diferente, o Nevermind com raízes vindas mais do punk, mas tais subtilezas não registavam na minha ainda imberbe cabeça de aprendiz melómano...
Não me vou por a dizer que foi um amor à primeira audição. Aquilo era muito diferente do que costumava ouvir e ao início estranhou-se muito. Mas com o tempo começou a entrar, a pedir cada vez mais para ser ouvido... Escusado será dizer que o disco rapidamente se tornou numa pedra fundamental da banda sonora dos anos de Teen Angst, papel para o qual aliás servia quase na perfeição. Depois de muitas e muitas audições, ao longo dos anos foi caindo no esquecimento até que há vários anos (seguramente mais de dez) deixei por absoluto de o ouvir. Ficou na estante a apanhar pó.
Agora que se comemoram 20 anos, foi lançada uma edição Deluxe (2 Cds) e uma edição Super Deluxe (4 Cds). Para além da perplexidade que vem de tentar perceber como é que ainda há unreleased material dos Nirvana para preencher mais 3 Cds (!?!) adicionais depois de tudo o que se foi lançando ao longo dos anos para ganhar mais uns trocos, (aparentemente é fácil, unreleased versions, live sessions, rehearsals etc...), fiquei a pensar se era capaz de voltar a ouvir com prazer o Nevermind. A verdade é que o Nevermind tem hoje para mim o sabor de algo que foi bom mas que já passou, a partir do qual se evoluiu e a que já não apetece mais voltar. 20 Anos é muito tempo, e quer se queira quer não, 20 anos mudam em muito os nossos gostos e impulsos. Não sei para quem revertem os lucros destas novas edições, mas com o devido respeito pelo disco (que apesar de tudo o merece), para este peditório não vou dar.
Outra parte engraçada desta história está na forma como se descobria e adquiria um disco há 20 anos. Hoje os Cds já raramente se compram, a loja de discos de bairro há muito fechou e deu lugar a FNACs e Wortens, e mesmo o centro comercial pequeno de bairro também já deu o seu último suspiro. Um míudo de 14 anos hoje nunca seria confrontado com o disco esgotado, os downloads (legais ou ilegais) por definição não esgotam...
2011/08/31
Aventuras em busca de novas fronteiras sónicas
Ilaiyaraaja: Solla Solla: The Electronic Pop Sound of Kollywood 1977-1983
Sempre em busca de novos sons e de algo mais "alternativo" ou "interessante" para ouvir, um artigo na Popmatters chamou-me a atenção. Primeiro pela capa do disco, depois pela curiosidade: The Electronic Pop Sound of Kollywood?... o que é isso?... Bandas sonoras obscuras dos anos 70...? Foi o suficiente para partir à descoberta pelas "internets".
Afinal, parece que para além da já clássica "Bollywood", na India existe também uma "Kollywood" que se refere à produção de filmes em língua Tamil. Parece também que o Sr. Ilaiyaraaja é um respeitado compositor de bandas sonoras para estes filmes. Assim uma espécie de Ennio Morricone indiano e obscuro...
O disco não deixa de ser uma curiosidade interessante para quem procura sons exóticos e novos. Porque de facto são bastante exóticos e novos. Daí a dizer seja uma descoberta que vou ficar a ouvir durante muito tempo...
Esperava encontrar uma daquelas pérolas que "primeiro se estranham, e depois entranham-se". infelizmente assim não é, pois apesar de se ouvir bem numa onda de "experimentalismo", o disco está pejado de extractos de diálogos e de canções de filmes musicais, numa lingua que nos é totalmente estranha. Acumula também o facto de a qualidade das gravações serem um pouco desiguais de canção para canção, penso que variando conforme o filme de que forma tiradas. Tudo isto acaba por tornar o disco mais difícil do que a à partida imaginava.
Na busca da alternatividade e exotismo, este foi talvez para mim um passo maior que a perna... mas não deixa de ser uma boa curiosidade para trazer no iPod para impressionar os amigos incautos (é a vantagem de ter um iPod classic de grande capacidade).
No Youtube encontrei um extracto que dá para ficar com uma ideia (há coisas que só podiam ter existido nos anos 70):
Sempre em busca de novos sons e de algo mais "alternativo" ou "interessante" para ouvir, um artigo na Popmatters chamou-me a atenção. Primeiro pela capa do disco, depois pela curiosidade: The Electronic Pop Sound of Kollywood?... o que é isso?... Bandas sonoras obscuras dos anos 70...? Foi o suficiente para partir à descoberta pelas "internets".
Afinal, parece que para além da já clássica "Bollywood", na India existe também uma "Kollywood" que se refere à produção de filmes em língua Tamil. Parece também que o Sr. Ilaiyaraaja é um respeitado compositor de bandas sonoras para estes filmes. Assim uma espécie de Ennio Morricone indiano e obscuro...
O disco não deixa de ser uma curiosidade interessante para quem procura sons exóticos e novos. Porque de facto são bastante exóticos e novos. Daí a dizer seja uma descoberta que vou ficar a ouvir durante muito tempo...
Esperava encontrar uma daquelas pérolas que "primeiro se estranham, e depois entranham-se". infelizmente assim não é, pois apesar de se ouvir bem numa onda de "experimentalismo", o disco está pejado de extractos de diálogos e de canções de filmes musicais, numa lingua que nos é totalmente estranha. Acumula também o facto de a qualidade das gravações serem um pouco desiguais de canção para canção, penso que variando conforme o filme de que forma tiradas. Tudo isto acaba por tornar o disco mais difícil do que a à partida imaginava.
Na busca da alternatividade e exotismo, este foi talvez para mim um passo maior que a perna... mas não deixa de ser uma boa curiosidade para trazer no iPod para impressionar os amigos incautos (é a vantagem de ter um iPod classic de grande capacidade).
No Youtube encontrei um extracto que dá para ficar com uma ideia (há coisas que só podiam ter existido nos anos 70):
2011/07/14
Super Bock Super Rock 2011
Começa hoje o Festival Super Bock Super Rock de 2011, este ano novamente no Meco. Tal como para o Alive, os bilhetes diários de 45 Euros não me parecem caros face à oferta. Ao contrário do festival anterior, este tinha mesmo um dia que me interessava, a sexta-feira em que tocam os Portishead.
Mas parece que não me interessava só a mim. Como dizem os brasileiros "bobeou... dançou!" e os bilhetes esgotaram-se, mandando assim para o lixo a minha teoria de "não esgota, dá para comprar no local, directamente à porta".
Mais um que fica para o ano...
14 de Julho
Palco Super Bock
Sean Riley - 19h15
The Walkmen - 20h20
The Kooks - 21h40
Beirut - 23h00
Arctic Monkeys - 00h45
Palco EDP
Glockenwise - 20h00
Tame Impala - 21h10
El Guincho - 23h20
Lykke Li - 00h10
Palco @ Meco
Mary-B - 21h00 - 22h00
Nicolas Jaar - 22h00 - 23h30
Rui Murka - 23h30 - 00h30
Tiago Miranda - 00h30 - 02h00
Tim Sweeney - 02h00 - 04h00
James Murphy - 04h00 - 06h00
15 de Julho
Palco Super Bock
Noiserv - 19h00
Rodrigo Leão - 20h00
The Gift - 21h20
Portishead - 22h50
Arcade Fire - 00h45
Palco EDP
LA - 19h45
B Fachada - 20h50
The Legendary Tigerman - 22h10
Chromeo - 02h00
Palco @Meco
Kaspar - 21h00 - 22h00
John Waynes - 22h00 - 23h00
Dorian Paic - 23h00 - 01h00
Makam - 01h00 - 02h00
Rui Vargas + André Cascais - 02h00 - 03h30
Sven Vath - 03h30 - 06h00
16 de Julho
Palco Super Bock
X-Wife - 19h15
Brandon Flowers - 20h15
Elbow - 21h45
Slash - 23h05
Strokes - 00h35
Palco EDP
Paus - 20h00
Junip - 21h10
Ian Brown - 22h25
The Vaccines - 23h45
Palco @ Meco
Kayser + Henrik - 21h00 - 22h30
Guillaume & The Coutu Dumonds - 22h30 - 23h30
Sascha Dive - 23h30 - 01h00
João Maria + Zé Salvador - 01h00 - 03h30
Ricardo Villalobos - 03h30 - 06h00
Mas parece que não me interessava só a mim. Como dizem os brasileiros "bobeou... dançou!" e os bilhetes esgotaram-se, mandando assim para o lixo a minha teoria de "não esgota, dá para comprar no local, directamente à porta".
Mais um que fica para o ano...
14 de Julho
Palco Super Bock
Sean Riley - 19h15
The Walkmen - 20h20
The Kooks - 21h40
Beirut - 23h00
Arctic Monkeys - 00h45
Palco EDP
Glockenwise - 20h00
Tame Impala - 21h10
El Guincho - 23h20
Lykke Li - 00h10
Palco @ Meco
Mary-B - 21h00 - 22h00
Nicolas Jaar - 22h00 - 23h30
Rui Murka - 23h30 - 00h30
Tiago Miranda - 00h30 - 02h00
Tim Sweeney - 02h00 - 04h00
James Murphy - 04h00 - 06h00
15 de Julho
Palco Super Bock
Noiserv - 19h00
Rodrigo Leão - 20h00
The Gift - 21h20
Portishead - 22h50
Arcade Fire - 00h45
Palco EDP
LA - 19h45
B Fachada - 20h50
The Legendary Tigerman - 22h10
Chromeo - 02h00
Palco @Meco
Kaspar - 21h00 - 22h00
John Waynes - 22h00 - 23h00
Dorian Paic - 23h00 - 01h00
Makam - 01h00 - 02h00
Rui Vargas + André Cascais - 02h00 - 03h30
Sven Vath - 03h30 - 06h00
16 de Julho
Palco Super Bock
X-Wife - 19h15
Brandon Flowers - 20h15
Elbow - 21h45
Slash - 23h05
Strokes - 00h35
Palco EDP
Paus - 20h00
Junip - 21h10
Ian Brown - 22h25
The Vaccines - 23h45
Palco @ Meco
Kayser + Henrik - 21h00 - 22h30
Guillaume & The Coutu Dumonds - 22h30 - 23h30
Sascha Dive - 23h30 - 01h00
João Maria + Zé Salvador - 01h00 - 03h30
Ricardo Villalobos - 03h30 - 06h00
2011/07/06
Optimus Alive 2011
Começa hoje o Optimus Alive 2011. Com bilhetes diários a 50 Euros, nem se pode dizer que seja caro perante a enorme oferta de cada dia.

Mas mesmo assim este ano vou ficar de fora. Embora haja aqui e ali no cartaz algumas coisas que gostaria de ver ou rever, não há nada que me impulsione a largar os meus ricos Euros num qualquer dia em particular ou mesmo nos 3 ou 4 dias...
Fica para o ano que vêm...

Mas mesmo assim este ano vou ficar de fora. Embora haja aqui e ali no cartaz algumas coisas que gostaria de ver ou rever, não há nada que me impulsione a largar os meus ricos Euros num qualquer dia em particular ou mesmo nos 3 ou 4 dias...
Fica para o ano que vêm...
2011/06/30
Twin Shadow @ Lux, 25 de Maio de 2011
Quando era mais novo era muito fácil descobrir novos artistas, novos discos e novos sons. Hoje já não é assim, por uma combinação de factores externos e internos. Mas de vez em quando ainda se "apanham" algumas novidades inesperadas.
É o caso de Twin Shadow. O disco aparentemente já anda por aí desde o fim do ano passado, mas não teria prestado a mínima atenção se não fosse por ter visto um cartaz a anunciar o concerto quando fui ao Lux ver os X-Wife, e se não tivesse visto um grupinho muito contente em frente ao cartaz a elogiar o disco.
Fiquei curioso, e felizmente a Internet serve precisamente para matar essa curiosidade. Ouvi o disco (apropriadamente intitulado "Forget", mas isso não quer dizer que não tenha gostado...), perdi o amor a 20 € e lá fui ao Lux. Muitos também seguiram pelo mesmo caminho, pois a casa estava praticamente cheia.
O disco tem uma sonoridade electrónica-new-romantic muito "anos 80" (hoje em dia parece que não há nada que não nos leve a essa época), suave e esparsa q.b. mas tem também uma mistura estranha em que as harmonias vocais de alguns versos são tão desafinadas que parece que estamos a ouvir Zé Cabra, com uns refrões tão sacarinos que ficam logo na cabeça à primeira audição. Um contraste completo.
Em concerto, com mais músicos em palco, o som era mais cheio, uns arranjos com mais instrumentação, mas que ainda assim não sobressaía por trás das letras. E ao vivo, com uma sonoridade menos polida, o o tal contraste de harmonias vocais parecia ainda mais notório.
Acresce que só existe ainda um disco de Twin Shadow, pelo que o repertório não é muito extenso. Deu para um concerto de um pouco menos de uma hora, com direito a repetição no encore de um dos singles (Castles in the Snow) e a ouvir em primeira mão uma música nova que não retive na memória.
Depois de muito tempo na "doca seca", Maio acabou por ser um mês de muitos concertos. Este foi se calhar o mais fraquito de todos, aquele que mais depressa se vai esquecer. No fundo, não é muito diferente do disco que lhe serviu de base, que é bom quanto baste para ouvir umas quantas vezes este verão mas rapidamente irá parar à gaveta...
É o caso de Twin Shadow. O disco aparentemente já anda por aí desde o fim do ano passado, mas não teria prestado a mínima atenção se não fosse por ter visto um cartaz a anunciar o concerto quando fui ao Lux ver os X-Wife, e se não tivesse visto um grupinho muito contente em frente ao cartaz a elogiar o disco.
Fiquei curioso, e felizmente a Internet serve precisamente para matar essa curiosidade. Ouvi o disco (apropriadamente intitulado "Forget", mas isso não quer dizer que não tenha gostado...), perdi o amor a 20 € e lá fui ao Lux. Muitos também seguiram pelo mesmo caminho, pois a casa estava praticamente cheia.
O disco tem uma sonoridade electrónica-new-romantic muito "anos 80" (hoje em dia parece que não há nada que não nos leve a essa época), suave e esparsa q.b. mas tem também uma mistura estranha em que as harmonias vocais de alguns versos são tão desafinadas que parece que estamos a ouvir Zé Cabra, com uns refrões tão sacarinos que ficam logo na cabeça à primeira audição. Um contraste completo.
Em concerto, com mais músicos em palco, o som era mais cheio, uns arranjos com mais instrumentação, mas que ainda assim não sobressaía por trás das letras. E ao vivo, com uma sonoridade menos polida, o o tal contraste de harmonias vocais parecia ainda mais notório.
Acresce que só existe ainda um disco de Twin Shadow, pelo que o repertório não é muito extenso. Deu para um concerto de um pouco menos de uma hora, com direito a repetição no encore de um dos singles (Castles in the Snow) e a ouvir em primeira mão uma música nova que não retive na memória.
Depois de muito tempo na "doca seca", Maio acabou por ser um mês de muitos concertos. Este foi se calhar o mais fraquito de todos, aquele que mais depressa se vai esquecer. No fundo, não é muito diferente do disco que lhe serviu de base, que é bom quanto baste para ouvir umas quantas vezes este verão mas rapidamente irá parar à gaveta...
2011/05/31
Tindersticks @ Aula Magna, 11 de Maio de 2011
Ao longo dos anos vi muito concertos e deixei muitos outros por ver. Estes últimos, em geral, não deixam remorsos. Mas se há um que me vem sempre à cabeça quando penso nos que deixei de ver, é o dos Cinematic Orchestra em que musicaram o filme Man with a Movie Camera para o Porto 2001. O disco foi durante muito tempo um dos meus favoritos e falhar esse concerto ficou sempre como uma chaga.
Fui fã dos Tindersticks por altura dos 3 primeiros discos, que ainda hoje revisito com regularidade. Vi a banda muitas vezes ao vivo (5 ou 6 vezes, já nem consigo bem precisar), mas ao longo do tempo fui deixando de prestar atenção aos discos que iam saindo, e da ultima vez que os fui ver ao vivo, em 2010 em Sintra, já foi mais por reflexo condicionado que por verdadeira paixão.
Quando vi o anúncio do filme concerto dos Tindersticks na Aula Magna, soube que não podia perder este concerto apesar da experiência meio "morna" que tinham sido os dois últimos concertos a que tinha assistido (Sudoeste 2009 e Sintra 2010) por ser uma experiência híbrida semelhante à dos Cinematic Orchestra que tinha perdido.
Assim, apesar das baixas expectativas, lá dei os 27 Euritos do bilhete (ouch...). Contrariamente ao que esperava, a Aula Magna não esgotou, apesar de bem composta viam-se ainda muitos lugares vagos. Lembrei-me do primeiro concerto dos Tindersticks que vi, precisamente naquela sala, na altura da Operação X, para salvar a XFM, em que não cabia mais uma formiga na sala...
Começa o concerto e aos poucos apercebi-me que estava a ter a surpresa musical do ano: talvez por uma parte dos temas já ter sido composta há vários anos, talvez por serem maioritariamente instrumentais, ou por outra razão que não percebi, o certo é que aqueles Tindersticks de "uma só noite" na Aula Magna pareciam ter viajado no tempo, soando muito mais próximo do som dos primeiros álbuns.
Já a parte do "filme musicado", que inicialmente me tinha entusiasmado, me pareceu menos conseguida. A banda tocava quase às escuras, enquanto por cima o ecrã passava vários clipes dos filmes a que as canções estavam ligados.
Porém, os filmes de Clare Denis não são suficientemente conhecidos para haver uma associação imediata entre a música e as imagens. Acresce o facto de todos os excertos aparecerem desligados uns dos outros, sem qualquer fio condutor, e de alguns serem particularmente violentos, acabaram por tornar a parte "filmada" a mais fraca do evento. Na minha opinião, as mesmas músicas tocadas sem as imagens nada teriam perdido.
Fomos brindados com um concerto surpreendente e que na certa ficara na memória dos fans dos Tindersticks "antigos". Era bom poder voltar a ver ao vivo "esta" banda em vez da versão "contemporânea"...
Fui fã dos Tindersticks por altura dos 3 primeiros discos, que ainda hoje revisito com regularidade. Vi a banda muitas vezes ao vivo (5 ou 6 vezes, já nem consigo bem precisar), mas ao longo do tempo fui deixando de prestar atenção aos discos que iam saindo, e da ultima vez que os fui ver ao vivo, em 2010 em Sintra, já foi mais por reflexo condicionado que por verdadeira paixão.
Quando vi o anúncio do filme concerto dos Tindersticks na Aula Magna, soube que não podia perder este concerto apesar da experiência meio "morna" que tinham sido os dois últimos concertos a que tinha assistido (Sudoeste 2009 e Sintra 2010) por ser uma experiência híbrida semelhante à dos Cinematic Orchestra que tinha perdido.
Assim, apesar das baixas expectativas, lá dei os 27 Euritos do bilhete (ouch...). Contrariamente ao que esperava, a Aula Magna não esgotou, apesar de bem composta viam-se ainda muitos lugares vagos. Lembrei-me do primeiro concerto dos Tindersticks que vi, precisamente naquela sala, na altura da Operação X, para salvar a XFM, em que não cabia mais uma formiga na sala...
Começa o concerto e aos poucos apercebi-me que estava a ter a surpresa musical do ano: talvez por uma parte dos temas já ter sido composta há vários anos, talvez por serem maioritariamente instrumentais, ou por outra razão que não percebi, o certo é que aqueles Tindersticks de "uma só noite" na Aula Magna pareciam ter viajado no tempo, soando muito mais próximo do som dos primeiros álbuns.
Já a parte do "filme musicado", que inicialmente me tinha entusiasmado, me pareceu menos conseguida. A banda tocava quase às escuras, enquanto por cima o ecrã passava vários clipes dos filmes a que as canções estavam ligados.
Porém, os filmes de Clare Denis não são suficientemente conhecidos para haver uma associação imediata entre a música e as imagens. Acresce o facto de todos os excertos aparecerem desligados uns dos outros, sem qualquer fio condutor, e de alguns serem particularmente violentos, acabaram por tornar a parte "filmada" a mais fraca do evento. Na minha opinião, as mesmas músicas tocadas sem as imagens nada teriam perdido.
Fomos brindados com um concerto surpreendente e que na certa ficara na memória dos fans dos Tindersticks "antigos". Era bom poder voltar a ver ao vivo "esta" banda em vez da versão "contemporânea"...
2011/05/15
X-Wife @ Lux, 6 de Maio de 2011
No Almost Famous há uma cena em que o Mentor / Critíco musical Lester Bangs instrui o seu jovem disciplo (que na prática seria a representação do realizador Cameron Crowe): para ser um bom crítico musical não pode deixar as bandas transformá-lo em fã.
Os X-Wife foram uma das poucas (ou se calhar a única) bandas que levou A Corneta a sério, concedendo nos uma entrevista em 2004 quando saiu o Feeding The Machine. E assim ganharam um fã e perderam um crítico objectivo.

Na passada sexta-feira, os X-Wife deram no Lux o concerto de apresentação do novo disco Infectious Affectional (que raio de nome...) e na minha condição de fã peguei nas minhas tamanquinhas, paguei o bilhete (uns modestos 12 euros, o que para os preços praticados nos tempos que correm se pode considerar uma pechincha), e lá fui alegremente para o Lux.
A sala não estava cheia, mas bem composta. Após um início afligido por deficiências técnicas (é o que dá baldar-se ao sound check e chegar à campeão), a coisa lá arrancou, com os X-Wife a tocarem todas as músicas do novo álbum. Como o material novo, tirando o primeiro single, ainda não era conhecido, o entusiasmo do público foi contido. Felizmente pelo meio e para o fim tocaram alguns êxitos mais antigos para animar a malta.
E no fundo, as novas músicas não se afastam muito do restante repertório. O mesmo estilo de rock "pós-punk" tingindo de electrónicas, as canções curtinhas (todas à roda de 3 minutos cada) e muito directas, as letras não muito elaboradas, etc... O novo disco também não é muito extenso, com o João Vieira (vocalista) a comentar que ninguém tem paciência para discos com mais de 40 minutos.
Não tendo sido nada de inesquecível, não deixou de saber bem sair a uma sexta e ir ver um concertozinho de rock para afastar os blues da velhice. Numa altura em que o sucesso de uma banda já quase não se consegue medir em discos vendidos, não deixa de ser digno de menção o facto dos X-Wife já irem no 4.º àlbum, em cerca de 7 anos de actividade.
Os X-Wife foram uma das poucas (ou se calhar a única) bandas que levou A Corneta a sério, concedendo nos uma entrevista em 2004 quando saiu o Feeding The Machine. E assim ganharam um fã e perderam um crítico objectivo.
Na passada sexta-feira, os X-Wife deram no Lux o concerto de apresentação do novo disco Infectious Affectional (que raio de nome...) e na minha condição de fã peguei nas minhas tamanquinhas, paguei o bilhete (uns modestos 12 euros, o que para os preços praticados nos tempos que correm se pode considerar uma pechincha), e lá fui alegremente para o Lux.
A sala não estava cheia, mas bem composta. Após um início afligido por deficiências técnicas (é o que dá baldar-se ao sound check e chegar à campeão), a coisa lá arrancou, com os X-Wife a tocarem todas as músicas do novo álbum. Como o material novo, tirando o primeiro single, ainda não era conhecido, o entusiasmo do público foi contido. Felizmente pelo meio e para o fim tocaram alguns êxitos mais antigos para animar a malta.
E no fundo, as novas músicas não se afastam muito do restante repertório. O mesmo estilo de rock "pós-punk" tingindo de electrónicas, as canções curtinhas (todas à roda de 3 minutos cada) e muito directas, as letras não muito elaboradas, etc... O novo disco também não é muito extenso, com o João Vieira (vocalista) a comentar que ninguém tem paciência para discos com mais de 40 minutos.
Não tendo sido nada de inesquecível, não deixou de saber bem sair a uma sexta e ir ver um concertozinho de rock para afastar os blues da velhice. Numa altura em que o sucesso de uma banda já quase não se consegue medir em discos vendidos, não deixa de ser digno de menção o facto dos X-Wife já irem no 4.º àlbum, em cerca de 7 anos de actividade.
2011/04/27
Zeca Afonso - Maior que o Pensamento
Passou na RTP nos últimos 3 dias, integrado nas comemorações do 25 de Abril, o documentário “Maior que o Pensamento”. Na forma, nada de especial. Pessoas que viveram os acontecimentos a darem o seu testemunho conjugadas e sobrepostas a imagens da época. O “chapa 3” dos documentários.
E no entanto, apesar de “chapa 3” valeu bem a pena ver os 3 episódios. O Zeca Afonso sobressaía ao mesmo tempo como uma pessoa muito humana e “larger than life”. E para mim, que sou da geração pós-25/04 e que nunca me debrucei de forma alguma sobre a música do Zeca Afonso (se calhar por falta de “politização”, conhecia apenas de longe 2 ou 3 cantigas), sobressaiu também a qualidade da música, e a capacidade que a mesma tem, ainda hoje, de nos emocionar e de nos mover.
Será essa capacidade universal, ou é só por nós Portugueses, mesmo os que não viveram essa época, a termos ainda muito profundamente gravada em nós?
Em jeito de nota de rodapé, nalgumas fotos da época é quase impossível distinguir o verdadeiro Zeca do seu “mero sucedâneo” actual, o Falâncio dos Homens da Luta...
E no entanto, apesar de “chapa 3” valeu bem a pena ver os 3 episódios. O Zeca Afonso sobressaía ao mesmo tempo como uma pessoa muito humana e “larger than life”. E para mim, que sou da geração pós-25/04 e que nunca me debrucei de forma alguma sobre a música do Zeca Afonso (se calhar por falta de “politização”, conhecia apenas de longe 2 ou 3 cantigas), sobressaiu também a qualidade da música, e a capacidade que a mesma tem, ainda hoje, de nos emocionar e de nos mover.
Será essa capacidade universal, ou é só por nós Portugueses, mesmo os que não viveram essa época, a termos ainda muito profundamente gravada em nós?
Em jeito de nota de rodapé, nalgumas fotos da época é quase impossível distinguir o verdadeiro Zeca do seu “mero sucedâneo” actual, o Falâncio dos Homens da Luta...
2010/07/07
O Engarrafamento
Festivais com cartazes melhores ou piores, já fui a muitos. Mas uma saturação de coisas interessantes em tão curto espaço de tempo como a que se prepara para amanhã no festival Optimus Alive, não me lembro de alguma vez ter visto.
Tendo por base a informação disponível no site oficial, a distribuição horária das bandas pelos palcos será a seguinte:
Hora / Palco / Artista
19:15 / Superbock / Devendra Banhart
19:45 / Clubbing / Jori Hulkkonen
20:50 / Superbock / Florence and the Machine
21:00 / Clubbing / Villa Nah
21:10 / Optimus / Alice In Chains
22:25 / Superbock / The XX
22:50 / Optimus / Kasabian
23:50 / Superbock / La Roux
00:30 / Optimus / Faith No More
01:30 / Clubbing / Tiga
Como se pode ver, um autêntico engarrafamento de coisas interessantes a aconteceram ao mesmo tempo...
Na minha perspectiva pessoal, e tendo em conta que na 6.ª não há quase nada de interesse no cartaz, e no sábado pouco mais me interessa que os Pearl Jam e os LCD Soundsystem, teria preferido uma distribuição do cartaz que não me obrigasse a tantas escolhas difíceis...
Mesmo com os inevitáveis atrasos, vão estar constantemente em causa 2 escolhas difíceis: ver a actuação em curso até ao fim, ou deixá-la a meio e correr para apanhar a seguinte...
Quem disse que "festivalar" era vida fácil?
Tendo por base a informação disponível no site oficial, a distribuição horária das bandas pelos palcos será a seguinte:
Hora / Palco / Artista
19:15 / Superbock / Devendra Banhart
19:45 / Clubbing / Jori Hulkkonen
20:50 / Superbock / Florence and the Machine
21:00 / Clubbing / Villa Nah
21:10 / Optimus / Alice In Chains
22:25 / Superbock / The XX
22:50 / Optimus / Kasabian
23:50 / Superbock / La Roux
00:30 / Optimus / Faith No More
01:30 / Clubbing / Tiga
Como se pode ver, um autêntico engarrafamento de coisas interessantes a aconteceram ao mesmo tempo...
Na minha perspectiva pessoal, e tendo em conta que na 6.ª não há quase nada de interesse no cartaz, e no sábado pouco mais me interessa que os Pearl Jam e os LCD Soundsystem, teria preferido uma distribuição do cartaz que não me obrigasse a tantas escolhas difíceis...
Mesmo com os inevitáveis atrasos, vão estar constantemente em causa 2 escolhas difíceis: ver a actuação em curso até ao fim, ou deixá-la a meio e correr para apanhar a seguinte...
Quem disse que "festivalar" era vida fácil?
2010/06/20
Fuck Buttons @ Lux, 16 de Junho de 2010

O habito de achar que os concertos no Lux nunca começam à hora marcada desta vez foi traiçoeiro e fez me perder uma boa meia-horita inicial do concerto.Quando chego ao piso de baixo fico espantado, primeiro pelo volume altíssimo do som e depois pela fraca audiência, acho que nunca lá estive num concerto que estivesse tão vazio.
Em cima do palco estavam apenas os dois membros da banda e o seu (reduzido) equipamento electrónico. A nível visual e de apresentação, mais minimalista era impossível, não havia sequer uma projecções em palco ou uns efeitos de luzes que não fossem os da casa...
Em cima do palco, portanto, estavam dois gajos que mexiam nuns botões (fazendo jus ao nome) e que se abanavam, pouco mais havia para ver. Mas nada do que até aqui descrevo deve parecer estranho a quem já tenha tido contacto prévio com a música dos Fuck Buttons. Ali trabalha-se o "avant garde", ou pelo menos uma ideia do que raio isso será. O assunto é para levar a sério, Não se está ali para uma festinha com uma malta a dançar uns beats completados com umas projecções...
Um som e um espectáculo como o que foi apresentado no Lux, será sempre por definição uma coisa de nicho, é impossível levar um massa significativa a aderir a algo tão difícil e que exige um grau de abstracção tão elevado para nele encontrar beleza. Porém é também um espectáculo do qual fica uma ideia de relevância, de ter visto algo fora de vulgar e a que valeu a pena prestar atenção. Uma ideia de música do futuro, talvez?






